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Ilustração gerada por IA do supercomputador compartilhado de Nova Jersey, iniciativa de mais de US$ 125 milhões que vai atender 8 universidades de pesquisa do estado

Nova Jersey lança supercomputador compartilhado de mais de US$ 125 milhões para 8 universidades

Nova Jersey anunciou a New Jersey Supercomputer Initiative, parceria público-privada de mais de US$ 125 milhões para um supercomputador compartilhado entre 8 universidades de pesquisa, com operação prevista para 2027, para pesquisa, educação e inovação.

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Ilustração gerada por IA do supercomputador compartilhado de Nova Jersey, iniciativa de mais de US$ 125 milhões que vai atender 8 universidades de pesquisa do estado

Nova Jersey lança supercomputador compartilhado de mais de US$ 125 milhões para 8 universidades

O estado de Nova Jersey anunciou a criação da New Jersey Supercomputer Initiative, conhecida pela sigla NJSCI, uma parceria público-privada de mais de US$ 125 milhões para construir um supercomputador compartilhado a serviço da pesquisa, da educação, da inovação e do desenvolvimento da força de trabalho no estado. O anúncio foi feito pela governadora Mikie Sherrill em 20 de outubro de 2026, em um evento em New Brunswick, e voltou a circular com força em coberturas publicadas em 2 de novembro de 2026, quando o projeto passou a ser destacado entre as iniciativas de infraestrutura de inteligência artificial nos Estados Unidos.

A ideia central é simples de entender e difícil de executar sem escala: em vez de cada universidade tentar comprar, manter e atualizar sozinha um sistema de computação avançada, o estado cria um recurso único, compartilhado, que pode ser usado por pesquisadores, estudantes, empreendedores, empresas e outras organizações de Nova Jersey. Segundo o governo do estado, a iniciativa deve dobrar a capacidade total de supercomputação hoje disponível no conjunto das universidades de pesquisa do estado e ampliar de forma expressiva a capacidade nos equipamentos mais avançados. Isso não significa que cada laboratório vai receber o dobro de máquinas amanhã, e sim que o teto coletivo de processamento do estado deve crescer bastante quando o sistema estiver em operação.

O que foi anunciado

O NJSCI vai estabelecer um supercomputador como recurso compartilhado de ponta, voltado para necessidades avançadas de computação que computadores comuns não conseguem atender em tempo útil. O comunicado oficial do governo cita dois exemplos para deixar o alcance concreto: pesquisa sobre câncer e mapeamento de risco de enchentes. São problemas que exigem simular muitos cenários, cruzar grandes volumes de dados e treinar ou executar modelos complexos, tarefas que podem levar dias ou semanas em máquinas convencionais e que se tornam viáveis em uma infraestrutura de alto desempenho.

A governadora apresentou o projeto como parte de uma identidade histórica do estado. Nova Jersey é lembrada no comunicado por nomes como Thomas Edison e pelos laboratórios Bell Labs, e o governo argumenta que o supercomputador é uma forma de manter essa tradição de pesquisa em um momento em que a inteligência artificial passou a depender cada vez mais de capacidade de processamento. Na mesma linha, o governo diz esperar que o investimento acelere curas para doenças, fortaleça a resiliência ambiental e ajude a resolver outros desafios do estado, sempre como expectativa para o futuro, não como resultado já obtido.

Quem paga a conta

O valor anunciado é de mais de US$ 125 milhões em investimento público e privado. Três parcelas nomeadas somam US$ 125 milhões, e o total passa desse valor porque as instituições participantes também devem fazer contribuições anuais para o orçamento da iniciativa. As parcelas confirmadas são as seguintes.

A maior contribuição individual é uma doação pessoal de US$ 75 milhões de Chris Malachowsky e de sua esposa, Melody. Chris Malachowsky é cofundador da NVIDIA e natural do condado de Monmouth, em Nova Jersey. É importante fazer essa distinção: o comunicado oficial descreve o valor como uma doação pessoal do casal, e não como um investimento corporativo da NVIDIA. Malachowsky disse, no anúncio, que Nova Jersey é onde a história dele começou e que o projeto pode ajudar a destravar talentos, transformar escolas, empresas e a força de trabalho e enfrentar os desafios mais urgentes do estado.

A SHI International, empresa de tecnologia sediada no condado de Somerset, investe US$ 25 milhões. A SHI não entra apenas com dinheiro: ela também é a responsável técnica pela arquitetura, pela integração do ecossistema de parceiros, pela implementação, pela hospedagem e pela operação diária da infraestrutura.

O estado de Nova Jersey investe outros US$ 25 milhões por meio da New Jersey Economic Development Authority, conhecida como NJEDA, com recursos apropriados no orçamento do ano fiscal de 2026. O presidente da SHI, Thai Lee, descreveu a iniciativa como um exemplo do que acontece quando governo, ensino superior e indústria se unem em torno de um objetivo comum, com foco em ampliar o acesso a recursos avançados de inteligência artificial.

Quem participa

O NJSCI nasce como uma parceria entre as 8 instituições de ensino superior de pesquisa de Nova Jersey. São elas, em ordem alfabética: Kean University, Montclair State University, New Jersey Institute of Technology (NJIT), Princeton University, Rowan University, Rutgers University, Seton Hall University e Stevens Institute of Technology. Além das 8 universidades, participa o New Jersey Council of County Colleges, o conselho que reúne as faculdades comunitárias do estado. O presidente do conselho, Aaron Fichtner, afirmou que a iniciativa deve ampliar as oportunidades de pesquisa e educação para estudantes de faculdades comunitárias em todo o estado e apoiar o trabalho das 18 faculdades comunitárias de Nova Jersey na preparação de moradores para prosperar em uma economia marcada pela inteligência artificial.

Cada uma das instituições participantes planeja fazer contribuições anuais para o orçamento da iniciativa. Caminhos para que outras instituições de ensino superior do estado participem devem ser anunciados em 2027. Ou seja, o desenho inicial é fechado em 8 universidades de pesquisa mais o sistema de faculdades comunitárias, mas com porta aberta para expansão.

Os depoimentos dos reitores no anúncio oficial ajudam a entender o que cada instituição espera do recurso. O presidente da Rutgers, William F. Tate IV, citou descobertas em saúde e ciências da vida, modelagem climática e planejamento de resiliência. O presidente do Stevens Institute of Technology, Nariman Farvardin, citou previsão de enchentes, fortalecimento da resiliência costeira, tecnologias financeiras e robótica autônoma. O presidente interino do NJIT, John Pelesko, resumiu um dos problemas que o projeto tenta resolver: muitas boas ideias, em laboratórios ou salas de aula, ficam esperando porque a máquina necessária para testá-las está fora de alcance. O presidente de Princeton, Christopher L. Eisgruber, destacou o acesso a recursos de ponta essenciais para pesquisas com potencial de melhorar saúde, segurança e prosperidade.

Como vai funcionar

Na prática, um supercomputador compartilhado funciona como um centro de processamento coletivo. Pesquisadores e estudantes submetem seus trabalhos, que são organizados em filas e executados em um conjunto grande de processadores trabalhando em paralelo. Isso permite treinar modelos de inteligência artificial, rodar simulações detalhadas e analisar bases de dados muito grandes em um tempo que seria inviável em computadores isolados.

No caso de Nova Jersey, a operação ficará com a SHI International, em suas instalações já existentes no estado, incluindo unidades em Piscataway. A SHI vai cuidar da arquitetura e do desenho do sistema, da integração das tecnologias dos parceiros, da implementação, da hospedagem e da operação no dia a dia. A infraestrutura deve ser desenvolvida em fases, segundo coberturas do projeto, para que a capacidade cresça conforme a demanda, em vez de ser construída de uma só vez em tamanho final.

A governança também já foi definida em linhas gerais. A partir de 2027, o supercomputador deve ser administrado pela NJSCI como uma organização sem fins lucrativos independente, guiada por princípios que incluem governança transparente e acesso equitativo. Isso é um ponto importante do desenho: como o recurso é compartilhado por instituições de portes e perfis diferentes, as regras de quem usa, por quanto tempo e com qual prioridade precisam ser claras e equilibradas. Os detalhes operacionais dessas regras, como critérios de seleção de projetos e divisão de tempo de máquina, ainda devem ser anunciados.

O apoio do governo envolve várias agências. Além da NJEDA, participam do esforço a New Jersey Innovation Authority, o Departamento de Trabalho e Desenvolvimento da Força de Trabalho de Nova Jersey e o Escritório do Secretário de Ensino Superior, com apoio também do NJ AI Hub, o polo de inteligência artificial do estado. O diretor de inovação do estado, Dave Cole, afirmou que a iniciativa deve garantir que as capacidades transformadoras da nova tecnologia estejam prontamente disponíveis para os principais inovadores de Nova Jersey e sejam colocadas a serviço de todos os moradores do estado.

Quem vai poder usar

O público previsto é amplo, e esse é um dos pontos que diferenciam o projeto de um supercomputador restrito a um único laboratório. Segundo o comunicado oficial, o recurso deve atender pesquisadores, estudantes, empreendedores, empresas e outras organizações em todo o estado. Na prática, isso significa que o uso não se limita às 8 universidades fundadoras: o desenho prevê estudantes e pesquisadores das faculdades comunitárias, além de empresas e organizações que precisam de computação avançada para pesquisa, desenvolvimento de produtos e inovação, desde que dentro das regras de acesso que ainda serão detalhadas.

Para estudantes, o ganho esperado vai além de rodar um experimento. O estado está ligando o supercomputador a um esforço de educação e formação profissional, por meio do AI Higher Education and Workforce Collaborative, que atua nas faculdades e universidades do estado para fortalecer currículos, programas práticos de treinamento e caminhos de aprendizagem. A proposta inclui desde alfabetização em inteligência artificial e uso responsável até computação avançada, ciência de dados e disciplinas relacionadas, com experiência direta na infraestrutura por meio de projetos de pesquisa, trabalhos de conclusão e disciplinas. O comissário interino do Departamento de Trabalho, Kevin D. Jarvis, ligou o projeto a programas de aprendizagem e treinamento que devem ajudar trabalhadores de Nova Jersey a desenvolver habilidades em inteligência artificial, ciência de dados e computação avançada, áreas em que empregadores estão contratando ativamente.

Exemplos de pesquisa que podem ser beneficiados

O governo do estado afirma que dezenas de projetos já estão sendo avaliados para possível uso do supercomputador em 2027. É fundamental entender o status dessas informações: são projetos em avaliação, não resultados já produzidos pelo sistema, que ainda não entrou em operação. Os temas citados no anúncio oficial são os seguintes.

Modelagem de enchentes e proteção de comunidades costeiras. Nova Jersey tem uma longa faixa litorânea e um histórico de tempestades e inundações, e simulações detalhadas podem ajudar a prever áreas de risco, testar cenários de drenagem e planejar proteção costeira com mais precisão.

Detecção e tratamento mais precoce de câncer e de outras doenças. Na pesquisa biomédica, a computação avançada ajuda a analisar imagens médicas, dados genômicos e grandes coortes de pacientes, além de acelerar a triagem de compostos candidatos a medicamentos.

Aceleração do desenvolvimento de medicamentos. Ao simular interações moleculares e priorizar candidatos promissores antes dos testes em laboratório, a pesquisa pode reduzir tempo e custo nas fases iniciais do desenvolvimento.

Segurança de modelos de linguagem de grande porte. Esse é um tema de pesquisa em inteligência artificial que busca entender, testar e reduzir falhas, vieses e usos indevidos de modelos de linguagem, algo que exige rodar muitos testes e avaliações em escala.

Além desses temas citados pelo governo, as universidades destacaram suas próprias frentes. A Rutgers mencionou saúde, ciências da vida e modelagem climática. O Stevens citou tecnologias financeiras e robótica autônoma, além de enchentes e resiliência costeira. O conjunto mostra que o projeto não foi desenhado para uma única área: ele pretende servir de base comum para ciências da vida, clima, engenharia, finanças e inteligência artificial.

Educação e trabalho

Um dos argumentos centrais do anúncio é que a infraestrutura, sozinha, não resolve o problema. Por isso o estado amarrou o supercomputador a currículos, treinamentos práticos e programas de aprendizagem. A secretária de Ensino Superior, Margo Chaly, afirmou que a iniciativa abre novas possibilidades para as instituições avançarem em pesquisas relevantes, prepararem estudantes para os empregos do futuro e transformarem inovação em soluções reais.

Para quem está fora da academia, o argumento econômico é parecido. O presidente da NJEDA, Evan Weiss, disse que o projeto ajuda a garantir que empresas de setores de alto crescimento, como manufatura avançada, biotecnologia, ciências da vida e inteligência artificial, não fiquem sem os recursos necessários para fazer descobertas e expandir no estado. A presidente da Choose New Jersey, Amy Herbold, ligou o supercomputador à aceleração da descoberta de medicamentos, à chegada de novas tecnologias ao mercado, à atração de investimentos e à criação de oportunidades para empresas e moradores.

Energia e infraestrutura

Supercomputadores consomem muita energia, e esse é um ponto sensível em qualquer projeto desse porte. O comunicado oficial afirma que a infraestrutura será hospedada e operada pela SHI em suas instalações já existentes em Nova Jersey e que a NJSCI vai trazer nova energia limpa para a rede do estado, em linha com o compromisso do governo com acessibilidade energética e sustentabilidade. O anúncio não detalha, no texto oficial, a quantidade de energia nova, as fontes exatas nem o cronograma dessa adição, e esses são pontos que merecem acompanhamento nas próximas divulgações do projeto.

Também não foram divulgados, nas fontes consultadas, detalhes técnicos do sistema, como o número de processadores, os modelos de chips, a capacidade total em operações por segundo ou o fornecedor do hardware. Isso é normal em um anúncio de lançamento de iniciativa: primeiro se anuncia a parceria, o financiamento e a governança, e os detalhes técnicos costumam aparecer conforme a implementação avança. Qualquer número de desempenho divulgado fora das fontes oficiais deve ser tratado com cautela até ser confirmado pelo projeto.

Prazos e próximos passos

O calendário conhecido até aqui é o seguinte. O lançamento foi anunciado em 20 de outubro de 2026, em New Brunswick, em uma mesa redonda com representantes da NVIDIA, da SHI International, do ensino superior e de agências do estado. A administração do supercomputador pela NJSCI, como organização sem fins lucrativos independente, está prevista para começar em 2027. Os caminhos para que outras instituições de ensino superior participem também devem ser anunciados em 2027. Dezenas de projetos estão em avaliação para possível uso do sistema em 2027. Coberturas do projeto e o site oficial da iniciativa apontam o início de 2027 como meta para o sistema entrar em operação, mas o comunicado oficial não fixa um dia exato de inauguração, e essa data deve ser confirmada em divulgações futuras.

Para acompanhar o projeto, o governo indica o site oficial da iniciativa, o NJSupercomputer.org, onde novas informações devem ser publicadas conforme estiverem disponíveis.

O que ainda não se sabe

Para o leitor sair da notícia com uma visão completa, vale listar o que o anúncio ainda não esclarece. Primeiro, os critérios de acesso: como pesquisadores, estudantes, empresas e outras organizações vão solicitar tempo de máquina, e como serão priorizados os projetos quando a demanda superar a capacidade. Segundo, os detalhes técnicos do sistema: processadores, capacidade total e fornecedores. Terceiro, o custo de operação no longo prazo e como ele será dividido entre o estado, as universidades, com suas contribuições anuais, e eventuais usuários. Quarto, o cronograma detalhado das fases de implementação e a data exata de entrada em operação. Quinto, os detalhes da nova energia limpa prometida para a rede do estado. Sexto, os resultados concretos: como o projeto vai medir se está de fato dobrando a capacidade disponível, ampliando o acesso e gerando descobertas, empregos e empresas.

Nenhum desses pontos diminui o tamanho do anúncio, que é um dos maiores investimentos públicos e privados em computação avançada já anunciados por um estado americano para um recurso compartilhado entre universidades. Mas eles definem o que observar nos próximos meses: as regras de acesso em 2027, os primeiros projetos selecionados, os dados técnicos e a data de operação são os marcos que vão mostrar se a promessa se transforma em ferramenta de uso diário para pesquisadores, estudantes e empresas de Nova Jersey.

Glossário

Supercomputador: um sistema de computação de altíssimo desempenho, formado por muitos processadores trabalhando em conjunto, usado para cálculos, simulações e treinamentos de modelos que seriam inviáveis ou lentos demais em computadores comuns.

Computação de alto desempenho: área conhecida pela sigla HPC, em inglês, que reúne técnicas, máquinas e programas para resolver problemas complexos com grande volume de dados e de cálculos.

Inteligência artificial: campo da computação que cria sistemas capazes de reconhecer padrões, processar linguagem, analisar imagens, tomar decisões com base em dados e executar tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana.

Modelo de linguagem de grande porte: sistema de inteligência artificial treinado com enormes quantidades de texto, capaz de entender e gerar linguagem, responder perguntas, resumir documentos e apoiar tarefas de escrita e programação.

NJSCI: sigla da New Jersey Supercomputer Initiative, a iniciativa de supercomputador compartilhado de Nova Jersey, que deve ser administrada a partir de 2027 por uma organização sem fins lucrativos independente com o mesmo nome.

NJEDA: sigla da New Jersey Economic Development Authority, a autoridade de desenvolvimento econômico do estado de Nova Jersey, responsável pela parcela de US$ 25 milhões do estado no projeto.

SHI International: empresa de tecnologia sediada no condado de Somerset, em Nova Jersey, responsável pelo investimento de US$ 25 milhões e pela arquitetura, implementação, hospedagem e operação da infraestrutura do supercomputador.

NVIDIA: empresa americana de tecnologia conhecida por seus processadores gráficos e por chips usados em inteligência artificial e supercomputação. Chris Malachowsky é cofundador da empresa, e a doação de US$ 75 milhões é pessoal, do casal Malachowsky, e não um investimento corporativo da NVIDIA.

Fontes